Pouco desejo e nenhum incômodo: a pesquisa mede essas duas coisas em separado
01/10/2026 · sexualidade · Fontes consultadas: Jan Shifren e colaboradores, "Sexual Problems and Distress in United States Women: Prevalence and Correlates", Obstetrics & Gyneco
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Existe uma quantidade certa de desejo? A pesquisa quase nunca responde a essa pergunta. Faz outra antes: a pessoa se incomoda?
Um levantamento com 31.581 mulheres nos Estados Unidos, publicado em 2008 na revista Obstetrics & Gynecology e coordenado por Jan Shifren, da Faculdade de Medicina de Harvard, mediu as duas coisas separadamente. Cerca de 38,7% relataram pouco desejo sexual. Já a proporção que preenchia os critérios do transtorno correspondente, que só se aplica quando existe sofrimento associado, foi de 12,3% entre as mulheres de 45 a 64 anos e de 7,4% entre as de 65 ou mais.
As duas medidas caminham em sentidos opostos conforme a idade avança: relatar pouca vontade fica mais comum, e o incômodo com ela, menos. Shifren levantou hipóteses para explicar isso — um eventual parceiro pode estar na mesma situação, outras questões de saúde podem ocupar o primeiro plano —, mas o estudo não decide entre elas. Ele ouviu só mulheres, só nos Estados Unidos, por questionário autorrespondido. Não há número brasileiro equivalente.
O que ele permite dizer é modesto e serve: ter pouco desejo e sofrer por ter pouco desejo são contas diferentes. Quando existe incômodo, dor, ou uma mudança que não passa, há o que investigar com um profissional. Quando não existe, não há o que consertar.
Que ideia sobre a quantidade certa de desejo você ouviu ao longo da vida — e de onde ela veio: de uma revista, de uma consulta, de uma conversa de corredor?