Tratamento de próstata: vontade, ereção e orgasmo não andam juntos
01/10/2026 · sexualidade · Fontes consultadas: Cancer Research UK, "Less interest in sex (libido)", seção sobre câncer de próstata, página revista em 4 de setembro de 2025; Macm
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
"Tratou a próstata, acabou o sexo" é das frases mais repetidas sobre o assunto. Ela embrulha num pacote só três coisas que seguem caminhos distintos: a vontade, a ereção e o orgasmo.
A organização britânica Cancer Research UK, em página revista em setembro de 2025, atribui a queda de interesse sexual sobretudo à terapia hormonal, que reduz a testosterona, e lista ao lado dela o cansaço, a ansiedade com a doença e o abalo na autoestima. A ereção é outro capítulo: segundo o Macmillan Cancer Support, em página revista em outubro de 2025, a dificuldade pode aparecer logo depois da cirurgia de retirada da próstata, enquanto na radioterapia ela tende a se instalar ao longo de anos.
O orgasmo é um terceiro. O Macmillan afirma que ele continua possível sem a emissão de sêmen: depois da prostatectomia não há ejaculação, e ainda assim há orgasmo.
Nenhuma das duas páginas promete prazo de recuperação, e ambas tratam o quadro como algo que varia conforme o tratamento recebido e a pessoa. Qual foi o tratamento muda a resposta — e essa parte é conversa com a equipe que acompanha o caso, não porque o assunto seja delicado demais para o resto, mas porque a resposta depende de dados que só ela tem.
Uma leitura nossa, e vale como leitura: parte do silêncio em torno disso talvez venha de a conversa pública ser quase toda sobre ereção, como se as outras duas não existissem.