A direção do desejo pode mudar depois dos 50? O que a pesquisa chama de fluidez — e o que admite não medir
08/10/2026 · sexualidade · Fontes consultadas: Lisa M. Diamond, "Sexual Fluidity in Male and Females", Current Sexual Health Reports, 2016 (cópia do artigo no site do Departamen
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Muita gente aprendeu que atração é assunto resolvido cedo: descobre-se de quem se gosta na juventude e aquilo fica. Quem chega aos 50 ou aos 60 e percebe algo fora desse roteiro supõe que está confuso.
Uma revisão publicada em 2016 na revista Current Sexual Health Reports, assinada pela psicóloga Lisa Diamond, da Universidade de Utah, organiza o que a pesquisa chama de fluidez sexual: uma capacidade de variação na resposta sexual conforme a situação. A autora faz duas ressalvas antes de qualquer conclusão. A primeira é que fluidez não quer dizer que todo mundo seja bissexual — ela varia de pessoa para pessoa. A segunda é mais incômoda: não existe jeito direto de medir isso, e o campo trabalha com indícios indiretos.
Entre esses indícios estão estudos que acompanharam as mesmas pessoas por anos. Neles, a proporção que relatou mudança importante nas próprias atrações ficou entre 25% e 75%, dependendo do subgrupo observado — intervalo largo o bastante para mostrar que a conta não está fechada. Esses estudos acompanharam sobretudo gente que já se identificava como minoria sexual, o que limita o quanto se pode estender ao resto da população.
A revisão separa ainda mudança que simplesmente acontece de tentativa deliberada de mudar a orientação de alguém. Sobre a segunda, diz que não há evidência de eficácia e há registro de dano.
Fica uma pergunta de outra ordem: que explicação sobre atração você ouviu quando era jovem, e ela deixava alguma margem para mudança ao longo da vida?