O neto cresceu e ficou calado — e o que ainda dá liga com um adolescente
10/10/2026 · maturidade
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Tem um momento que pega os avós de surpresa. O neto que contava tudo, que corria para mostrar o desenho, de repente responde por monossílabo e volta para o celular. A primeira interpretação quase sempre é a pior: ele não quer mais a minha companhia.
Na maior parte dos casos, não é isso. O adolescente está construindo um mundo próprio e fala pouco com todo mundo — pais inclusive. O que mudou não foi o carinho, foi a forma.
E a forma que funciona nessa idade é lado a lado, não cara a cara. Conversa de interrogatório ("como vai a escola?", "e a namorada?") fecha a porta. Fazer algo junto abre: consertar uma coisa, cozinhar, lavar o carro, mexer na horta, dirigir até algum lugar. A fala vem sozinha quando as mãos estão ocupadas e ninguém está olhando ninguém nos olhos.
Vale também perguntar sobre o mundo dele com curiosidade de verdade — o jogo, a música, o vídeo — sem avaliar nem comparar com o seu tempo. E vale mandar mensagem sem esperar resposta imediata: para eles, um áudio curto ou uma foto boba é presença. Silêncio, aqui, raramente é recusa.