O selo de carta já veio sem picote — e era preciso ter uma tesoura à mão
12/10/2026 · curiosidades
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Quem já lambeu um selo para colar numa carta conhece de olhos fechados aquela borda dentadinha. Ela parece óbvia, mas não nasceu com o selo.
Os primeiros selos postais, lançados na Inglaterra em 1840, vinham em folhas inteiras, sem nenhuma separação. O funcionário do correio cortava cada um com tesoura, e quem cortava torto ficava com um selo torto para o resto da vida. O Brasil foi um dos primeiros países do mundo a ter selo próprio, em 1843, com os famosos olho-de-boi — e eles também vinham lisos, sem picote.
A ideia de perfurar o papel entre um selo e outro só foi adotada oficialmente em meados do século XIX, depois que um inventor insistiu bastante na proposta. Daí em diante, separar virou gesto de dobrar e rasgar, sem ferramenta nenhuma.
É curioso pensar que o picote, hoje a cara do selo, começou como solução para um incômodo de trabalho. E que uma geração inteira de cartas de amor e de recado de família atravessou o oceano em envelopes com selo cortado a tesoura.