O carinho que não vai levar a nada — e é justamente por isso que ele faz falta
15/10/2026 · sexualidade
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Tem uma coisa que some devagar da convivência de muitos casais de longa data: o toque gratuito. Aquele que não está pedindo nada, não é início de nada, não termina em nada. A mão que encosta no ombro quando se passa atrás da cadeira. O pé que encontra o outro pé debaixo do lençol. O abraço de dez segundos no meio da cozinha, sem motivo.
Quando esse carinho desaparece, acontece um efeito curioso: qualquer toque passa a ser interpretado como proposta. E aí um dos dois começa a evitar, por cansaço ou por não estar com vontade naquele dia, e o outro se sente recusado. O afeto cotidiano é justamente o que tira esse peso — ele mantém a proximidade viva sem cobrar nada em troca.
Vale também para quem está começando de novo, depois de um divórcio ou de uma viuvez: o contato tranquilo costuma vir antes, e a pressa quase nunca ajuda.
E se o que afasta é desconforto físico, dor ou alguma mudança do corpo que incomoda, isso não é assunto de se resolver calado — vale conversar com o parceiro e levar à consulta com um profissional de saúde.