A segunda-feira de manhã é o dia mais difícil da aposentadoria — e é ela que você precisa inventar
25/10/2026 · maturidade
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Quase todo mundo descreve a aposentadoria do mesmo jeito. O primeiro mês é ótimo: dormir até mais tarde, resolver o que estava atrasado, viver sem despertador. O desconforto aparece depois, e quase sempre numa segunda-feira de manhã — a hora em que a rua enche de gente indo para algum lugar e você percebe que não tem para onde ir.
Não é falta do trabalho em si. É falta de forma na semana. Por quarenta anos, alguém de fora organizou os seus dias: hora de sair, hora de voltar, pessoas que você ia encontrar sem combinar. Isso acabou de uma vez, e ninguém entrega um substituto junto com a carta de concessão.
O que costuma funcionar é ter dois ou três compromissos fixos na semana, com hora marcada e com outras pessoas envolvidas. Um curso, um coral, uma caminhada de terça e quinta, um dia de voluntariado, uma turma de alguma coisa. Fixos porque o que depende de vontade no dia acaba não acontecendo, e com gente porque é a parte que o trabalho dava de graça.
Não precisa ser grande. Precisa ter dia e hora.