Aos 59 anos, cientista carioca cria substância que devolve movimentos a tetraplégicos
18/09/2026 · eles são TOP · Fonte: Gazeta do Povo e ND+
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Aos 59 anos, a professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está por trás de uma das descobertas mais promissoras da ciência brasileira recente: a polilaminina, substância desenvolvida a partir de proteínas da placenta humana capaz de estimular a regeneração de axônios, as estruturas dos neurônios responsáveis por levar informação entre o cérebro e o resto do corpo.
Formada e doutorada pela própria UFRJ, com passagens de pesquisa pelos Estados Unidos e pela Alemanha, Tatiana lidera o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular há décadas. Em testes com pacientes voluntários com lesão medular, seis de oito recuperaram alguma capacidade de movimento após receber a substância — um deles, paralisado a partir dos ombros, voltou a andar sozinho. Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou o início de ensaios clínicos oficiais com cinco voluntários.
Apesar do entusiasmo em torno da pesquisa, Tatiana mantém o pé no chão: reforça que os resultados variam conforme o tempo decorrido desde a lesão e evita falar em "cura da paralisia". Mesmo assim, já recebe diariamente pedidos de famílias em busca de esperança — reflexo do impacto de décadas de trabalho científico dedicado a devolver movimento e dignidade a quem havia perdido a esperança de recuperá-los.