Por que a aula de Pilates começa pela respiração
19/10/2026 · Fisioterapia e Pilates · Fontes: Fisioterapia e Pesquisa (ensaio clínico de 2015), Fisioterapia em Movimento (revisão de 2012)
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Na primeira aula vem uma instrução que costuma pegar de surpresa: solte o ar nesta parte do movimento. E depois: não estufe a barriga ao inspirar, deixe as costelas abrirem para os lados. Parece detalhe. Dentro do método, é um dos seis princípios.
A lógica é de organização. O padrão que o método chama de respiração lateral evita a expansão do abdome na inspiração e prioriza a abertura lateral da caixa torácica. E a expiração é associada ao momento em que a musculatura do tronco e o diafragma se contraem — por isso o professor combina o sopro com uma fase do exercício, e não com outra. Ali a respiração funciona como relógio: dá ritmo e marca quando o tronco sustenta a posição.
A pergunta seguinte, porém, é outra: respirar assim melhora a respiração? Um ensaio clínico publicado na revista Fisioterapia e Pesquisa acompanhou 21 mulheres saudáveis de 25 a 55 anos — média de idade na casa dos 30 —, duas vezes por semana durante 12 semanas, em solo e aparelhos. O grupo que praticou melhorou medidas de mobilidade do tórax e de força respiratória comparado consigo mesmo. Na comparação com o grupo controle, essas diferenças não se sustentaram. O estudo não foi sorteado e as participantes procuraram o método por conta própria — limites que os autores apontam. Aula de exercício e fisioterapia respiratória continuam sendo coisas distintas.
Dessas instruções que a gente ouve na aula e repete sem saber o motivo, qual você gostaria de ver explicada aqui?