O beijo foi ficando mais curto ao longo dos anos — e ninguém dos dois reparou quando isso aconteceu
22/10/2026 · sexualidade
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Pergunte a um casal de trinta anos de convivência quando foi o último beijo de verdade e a resposta costuma ser um silêncio surpreso. Não é que o afeto tenha acabado. É que o beijo foi ficando funcional: um encostar de lábios na saída de casa, um beijo no rosto antes de dormir, um aperto no ombro na passagem pela cozinha. Tudo isso é carinho, mas nenhum deles ocupa o lugar que o beijo ocupava.
O beijo tem uma particularidade: ele não é prólogo de nada. É um gesto inteiro em si mesmo, que não pede disposição, hora nem roupa específica. Talvez por isso ele seja o primeiro a sair da rotina — não faz falta imediata, e por isso ninguém cobra.
Recuperar esse hábito não exige conversa formal. Exige só não transformar o beijo em recado de saída. Beijar sentado no sofá, sem pressa, no meio de uma tarde comum, já é diferente de beijar com a bolsa na mão.
Quando houver desconforto físico ou dor envolvida na intimidade, vale levar o assunto a um profissional de saúde — é conversa de consultório, não de resignação.