Perder urina durante o sexo: o que a pesquisa mediu e o que quase ninguém leva à consulta
22/10/2026 · sexualidade · Fontes consultadas: Lau H.-H., Huang W.-C., Su T.-H., "Urinary leakage during sexual intercourse among women with incontinence: Incidence and risk fac
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
A crença vem em duas partes: que perder urina é coisa da idade e que, se atrapalha o sexo, não há o que fazer nem o que dizer.
A primeira parte não se sustenta. O Manual MSD, na versão para o público, registra que a incontinência é mais comum em adultos mais velhos, mas não é parte normal do envelhecimento — e que muita gente convive com ela por acreditar, equivocadamente, que seja. O NHS britânico registra o mesmo: a idade aumenta a chance, sem que a incontinência seja inevitável. O mesmo manual estima que ela afete cerca de 37% das mulheres e 15% dos homens mais velhos nos Estados Unidos, e descreve os exercícios do assoalho pélvico, ensinados por fisioterapeuta, como frequentemente eficazes na incontinência de esforço.
A segunda parte tem número. Num estudo de 2017 na PLOS ONE, 505 mulheres sexualmente ativas atendidas por incontinência num ambulatório em Taiwan responderam a questionário: 56% relataram perda de urina na relação sexual, e apenas 9% delas haviam levado o assunto à consulta antes de serem perguntadas. Os autores lembram que quem chega a um ambulatório tende a ter sintoma mais intenso, e que ali predominava a incontinência de esforço: o dado não descreve mulheres de 50 ou 60 anos em geral, menos ainda as brasileiras.
Daqui em diante é avaliação individual: os tipos são diferentes e as condutas dependem disso. Uma leitura nossa, e não dos autores: o número que impressiona nesse estudo não é o 56%, é o 9%.