O interesse dura até os 90 e desaparece aos 65: as duas respostas vieram do mesmo grupo
29/10/2026 · sexualidade · Fonte consultada: Iara de França Santos, “Atitudes e Conhecimentos de Idosos sobre Intercurso Sexual no Envelhecimento”, revista Psicologia: Ciência e
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Em um município do agreste de Pernambuco, 150 pessoas atendidas em grupos de idosos da Estratégia Saúde da Família responderam, uma a uma e em sala reservada, a uma escala de atitudes e conhecimentos sobre sexualidade no envelhecimento. O estudo é de Iara de França Santos e saiu em 2022 na revista Psicologia: Ciência e Profissão.
Duas das respostas não se encaixam. Perguntadas se, na ausência de problemas físicos graves, o interesse e a atividade sexual podem seguir depois dos 80 ou 90 anos, 58,82% das mulheres e 66,66% dos homens disseram que sim. Perguntadas se esse interesse desaparece inevitavelmente depois dos 65, cerca de três em cada quatro — delas e deles — concordaram, total ou parcialmente.
As duas coisas não podem ser verdade ao mesmo tempo, e ainda assim convivem na mesma sala. Uma é o que a pessoa admite como possível; a outra é o que ela aprendeu a esperar de si. Há ainda um terceiro número: 42,15% das mulheres consideraram vergonhoso demonstrar interesse por sexo, contra 20,83% dos homens. A vergonha não foi distribuída igualmente.
São 150 pessoas de um município, recrutadas em grupos de saúde, a maioria com pouca escolaridade; não é um retrato do Brasil, e a autora não informa as idades de quem respondeu. Serve, isso sim, para uma pergunta: quem lhe ensinou que o desejo tem prazo, e com que idade você ouviu isso pela primeira vez?