Quem usava espartilho no século XIX não concordava sobre o que a peça significava
29/10/2026 · sexualidade · Fonte consultada: Victoria and Albert Museum, “Corsets, crinolines and bustles: fashionable Victorian underwear”, página do museu atualizada em 5 de j
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
O Victoria and Albert Museum, em Londres, descreve o espartilho vitoriano — também chamado de stays — pelo que ele fazia: arredondava o busto, segurava cintura e abdómen, modelava os quadris e escondia as outras roupas de baixo. Era peça de estrutura, costurada à mão em algodão resistente, com barbatana de baleia e uma barra rígida de madeira ou metal na frente.
O que foi mudando a peça ao longo do século tem muito de técnica. Os ilhós de metal, inventados nos anos 1820, permitiram apertar mais o laço. A máquina de costura ampliou a variedade, inclusive de sedas coloridas, e levou o espartilho a clientes menos ricas. O fecho frontal partido tornou possível vestir-se sem a ajuda de uma empregada. No fim dos anos 1860, Edwin Izod desenvolveu a moldagem a vapor: a peça engomada secava sobre formas de cobre aquecidas, no formato da silhueta da época.
E o significado não era um só. Por volta de 1890, quando as ideias das reformadoras do vestuário chegaram à moda, o museu registra gente firmemente de cada lado: havia quem gostasse da sensação de usar stays e achasse feia a peça reformada, e quem visse outro modo de se vestir como essencial ao bem-estar físico e psicológico. O museu anota também que parte das alegações de saúde das reformadoras parece correta e que vários militantes exageraram ou inventaram argumentos.
Num espartilho “RATIONAL” do acervo, o selo interno traz uma mulher com um bebê no colo: a discussão impressa por dentro da roupa.