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Ajudar sem decidir pelo outro: onde fica esse limite

16/09/2026 · mente em terapia · Fontes consultadas: Portal do Envelhecimento e Longeviver; Planalto - Lei 10.741/2003 (Estatuto da Pessoa Idosa)

Ajudar sem decidir pelo outro: onde fica esse limite

Ilustração criada pelo Clube da Maturidade

É comum que filhos adultos comecem a tomar decisões por pais mais velhos com a melhor das intenções: escolher o médico, decidir sobre reformas na casa, definir se é hora de parar de dirigir. O problema não está em oferecer ajuda, e sim no momento em que ajudar vira decidir sem consultar. A advogada Anelise Rigotti, pesquisadora em ciências do envelhecimento, descreve esse processo como o cuidado virando substituição: decisões passam a ser tomadas sobre a pessoa, não com ela.

O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003) garante, no artigo 10, o direito à liberdade de opinião e expressão e a preservação da autonomia como parte do respeito devido à pessoa idosa — mesmo quando ela passa a depender de apoio em algumas tarefas. Precisar de ajuda para carregar compras ou entender um contrato não equivale a perder o direito de decidir sobre a própria vida.

Existem situações em que a capacidade de decidir está de fato comprometida, e para esses casos a lei prevê instrumentos específicos, como a tomada de decisão apoiada. Mas boa parte dos conflitos familiares não é sobre isso: é sobre lembrar de perguntar antes de agir.

Antes de decidir por alguém, vale a pergunta simples: essa pessoa foi ouvida sobre isso?

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