Por que um cheiro ou um gosto trazem lembranças tão vívidas
23/09/2026 · mente em terapia · Fontes consultadas: British Psychological Society (bps.org.uk)
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Um cheiro de café coado, o gosto de um prato feito há décadas, o som de uma música tocando ao fundo: de repente, uma lembrança inteira parece voltar, com detalhes que a pessoa nem sabia que guardava. Esse fenômeno tem nome na psicologia: memória autobiográfica evocada por odor, também chamada de efeito Proust, em referência ao escritor Marcel Proust, que descreveu como o sabor de um bolo trouxe de volta toda uma infância.
A explicação está na forma como o cérebro processa os sentidos. Diferente da visão e da audição, a informação captada pelo olfato tem uma ligação mais direta com áreas do sistema límbico, responsáveis por emoção e memória, sem passar primeiro pelo tálamo, uma espécie de central de triagem das outras sensações. É por isso que um cheiro específico costuma despertar lembranças mais carregadas de emoção do que uma foto ou um nome, segundo revisão sobre o tema publicada pela British Psychological Society.
Isso não significa que a lembrança evocada seja uma reprodução exata do passado. Pesquisadores que estudam o assunto apontam que a sensação de estar ali de novo pode ser mais forte do que a precisão dos detalhes. De qualquer forma, entender esse mecanismo ajuda a encarar essas lembranças repentinas com curiosidade, e não como uma intrusão estranha.
Que cheiro ou gosto costuma levar você de volta a um momento específico da vida?