Ajudar por vontade ou por obrigação: a linha nem sempre é clara
23/09/2026 · mente em terapia · Fontes consultadas: Ageing & Society - Cambridge University Press (cambridge.org)
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Cuidar do neto à tarde, ajudar um filho adulto com as contas, receber a família toda no fim de semana: são gestos de afeto que muita gente oferece de bom grado. Mas, quando a ajuda deixa de ser escolha e passa a ser esperada como certa, o mesmo gesto pode gerar cansaço e ressentimento, mesmo que ninguém tenha pedido isso abertamente.
Um estudo publicado na revista científica Ageing & Society acompanhou mais de 3.400 avós holandeses entre 60 e 68 anos que cuidavam dos netos sem morar com eles. Cerca de um em cada cinco descreveu a experiência como bastante ou muito pesada, e quase um em cada dez disse sentir que era uma obrigação, ainda que 98% também tivessem descrito a experiência como gratificante. Ou seja: gostar de ajudar e, ao mesmo tempo, sentir peso não são sentimentos contraditórios.
A pesquisa foi feita com um grupo específico, na Holanda, onde o acesso a creches e o mercado de trabalho têm particularidades próprias, e os números não podem ser lidos como retrato do Brasil. Mas a distinção que ela ajuda a enxergar vale para qualquer relação familiar: perceber quando a disponibilidade constante deixou de ser uma escolha é o primeiro passo para poder conversar sobre isso, sem que isso signifique deixar de ajudar quem se ama.
Existe alguma tarefa familiar que, com o tempo, passou de escolha para expectativa, na sua experiência?