Dividir o cuidado dos pais entre irmãos: por que raramente parece justo
07/10/2026 · mente em terapia · Fontes consultadas: Social Justice Research (Sarah H. Matthews); Knowable Magazine (Annual Reviews)
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Imagine três irmãos diante dos cuidados com o pai idoso: um mora perto e leva o pai às consultas, outro mora longe e ajuda pagando contas, um terceiro liga toda semana para conversar. Nenhum desses formatos é automaticamente injusto, mas é comum que pelo menos um dos irmãos sinta que carrega mais peso do que os outros.
Uma pesquisa publicada na revista científica Social Justice Research, que entrevistou pares de irmãs em 50 famílias com pais acima de 75 anos, encontrou algo que ainda ajuda a entender esses conflitos: a sensação de justiça na divisão do cuidado está menos ligada ao número de horas dedicadas e mais à qualidade da relação entre os irmãos e ao que cada um espera dessa relação no futuro. Reportagens recentes sobre o tema, baseadas em levantamentos com famílias cuidadoras, também apontam que costuma ser o filho que mora mais perto quem assume a maior parte das tarefas do dia a dia, o que nem sempre é reconhecido pelos demais.
Rivalidades antigas, papéis que já existiam desde a infância e mágoas nunca conversadas tendem a reaparecer nesse momento. Não existe uma divisão perfeita a ser copiada de outra família; existe a conversa, difícil e necessária, sobre o que cada um pode oferecer agora.