Por que o antibiótico não resolve a gripe nem o resfriado
19/10/2026 · saúde e bem-estar · Fontes: Conselho Federal de Farmácia (CFF/Cebrim), "Surto de gripe reforça alerta sobre uso abusivo de antimicrobianos" (2022), com dados da Fiocruz;
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
É comum, ao sentir os primeiros sintomas de gripe ou resfriado, pedir ao médico ou ao farmacêutico um antibiótico "para não deixar piorar". O problema é que antibióticos atuam apenas contra bactérias, e a grande maioria dos casos de gripe, resfriado e dor de garganta é causada por vírus — micro-organismos de estrutura completamente diferente, contra os quais esses remédios simplesmente não têm ação. Tomar antibiótico nessas situações não acelera a recuperação nem evita complicações; apenas expõe o corpo a um medicamento que não vai fazer efeito sobre a causa do problema.
Há também um efeito que vai além de quem toma o remédio sem necessidade. Segundo o Conselho Federal de Farmácia, o uso inadequado de antibióticos favorece a multiplicação de bactérias resistentes a esses medicamentos, tornando infecções futuras — às vezes em outras pessoas — mais difíceis de tratar. A Fiocruz registrou um salto nesse tipo de bactéria resistente nos últimos anos, um problema que a Organização Mundial da Saúde já trata como uma das maiores ameaças à saúde pública. Isso não significa que antibiótico nunca seja necessário: quando uma gripe evolui para uma complicação bacteriana, como uma pneumonia, o quadro muda e o médico pode, sim, prescrever um.
A diferença entre as duas situações costuma ficar mais clara quando o médico explica o motivo da escolha — vale perguntar, na consulta, o que indicaria que a causa deixou de ser viral.