Lembrar do passado também fortalece o presente, mostra pesquisa sobre nostalgia
28/10/2026 · mente em terapia · Fontes consultadas: Sedikides, Wildschut et al., revista Emotion (2016), Universidade de Southampton; Scientific American
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Ouvir uma música antiga, reconhecer um objeto guardado há anos ou lembrar de uma viagem costuma trazer uma mistura de alegria e um certo aperto no peito. Por muito tempo, essa sensação foi tratada como melancolia inútil — e até como doença, no século 17. A pesquisa atual oferece um retrato diferente.
Um estudo publicado em 2016 na revista científica Emotion, conduzido por Constantine Sedikides, Tim Wildschut e colegas da Universidade de Southampton, encontrou que recordar momentos pessoais significativos aumenta a sensação de continuidade entre quem a pessoa foi e quem ela é hoje. Esse efeito passa, em boa parte, pelo sentimento de pertencimento: a maioria das lembranças nostálgicas envolve outras pessoas, e reviver essas cenas reforça a sensação de ser aceito e cuidado, o que por sua vez se associa a mais vitalidade e disposição no presente.
O efeito não é igual para todos. Pesquisas sobre depressão mostram que, para quem atravessa um quadro depressivo mais severo, lembrar de tempos felizes pode acentuar a sensação de distância entre o passado bom e o presente difícil, em vez de aliviar.
Vale perguntar: qual lembrança recente trouxe essa mistura de saudade e conforto — e o que ela diz sobre o que você valoriza hoje?