Resiliência não é não sofrer: o que a pesquisa mostra sobre esse conceito
28/10/2026 · mente em terapia · Fontes consultadas: Bonanno, American Psychologist (2004), Universidade Columbia
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
"Essa pessoa é tão forte, nem chorou" — a frase costuma vir carregada de admiração, mas também de uma ideia equivocada sobre o que é resiliência. Um dos pesquisadores mais citados sobre o tema, George Bonanno, da Universidade Columbia, reuniu em um artigo de 2004 na revista American Psychologist dados de diferentes estudos sobre perdas e eventos adversos.
A conclusão central é que resiliência não significa ausência de dor. Em pesquisas sobre luto, pessoas resilientes relataram sim momentos de saudade e pensamentos intrusivos nas primeiras semanas — a diferença é que essas reações foram passageiras e não impediram o funcionamento no dia a dia. Em várias amostras estudadas por Bonanno, cerca de metade ou mais das pessoas enlutadas mostrou esse padrão, o que torna a resiliência o desfecho mais comum, não uma exceção reservada a poucos.
O artigo também destaca que não existe um único caminho para chegar lá: fatores como rede de apoio, histórico de vida e a forma de interpretar o próprio evento pesam mais do que um traço fixo de personalidade. Por isso, a ausência de lágrimas em público não autoriza concluir nem que alguém "superou tudo", nem que está reprimindo algo grave.
Qual expectativa sobre como alguém "deveria" reagir a uma perda você já viu não se confirmar na prática?