O pão francês não é francês — e, de cidade em cidade, ele nem se chama assim
03/11/2026 · curiosidades
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Em Paris, ninguém pede um pão francês. A padaria de lá tem a baguete, comprida e de casca dura, mas aquele pãozinho de uns cinquenta gramas, casquinha fina e miolo branco, é invenção nossa.
A versão mais contada é a de que, no começo do século passado, brasileiros que voltavam de viagem à Europa pediram aos padeiros daqui um pão parecido com o que tinham comido por lá. O padeiro brasileiro fez à sua maneira, com a farinha, o forno e o clima que tinha à mão. Saiu outra coisa — e essa outra coisa virou o pão de cada manhã do país inteiro.
O mais divertido é o nome. De cidade em cidade ele muda: é pão de sal em boa parte de Minas e do Nordeste, cacetinho no Rio Grande do Sul, e ainda pão careca, pão d'água, filão, pão jacó, carioquinha. Quem muda de estado descobre isso na primeira padaria, quase sempre apontando para a bandeja em vez de arriscar o nome.
É o mesmo pão. Só que cada lugar resolveu batizá-lo do seu jeito — e nenhum deles achou necessário avisar os outros.