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Contar ao parceiro o que você imagina: o medo é maior do que a conversa

16/09/2026 · sexualidade · Fonte: Journal of Sexual Medicine (Joyal, Cossette e Lapierre, 2015) e Sexuality & Culture

Contar ao parceiro o que você imagina: o medo é maior do que a conversa

Ilustração criada pelo Clube da Maturidade

Tem uma frase que muita gente já pensou e quase ninguém disse: isso que eu imagino deve ser só coisa minha. O que segura a conversa não é o conteúdo da fantasia — é a desconfiança de ser o único a ter aquilo na cabeça.

Em 2015, os pesquisadores Christian Joyal, Amélie Cossette e Vanessa Lapierre perguntaram a 1.516 adultos, no Canadá, sobre 55 fantasias sexuais diferentes. O resultado, no Journal of Sexual Medicine, desmonta a excentricidade: das 55, só duas apareceram em menos de 2,3% das pessoas. Trinta foram citadas por mais da metade dos entrevistados, e cinco por mais de 84%. Os autores pedem cautela antes de chamar uma fantasia de incomum — quanto mais de desviante.

E contar? Um estudo da revista Sexuality & Culture perguntou a quase duzentas pessoas o que aconteceu depois de revelarem ao parceiro um segredo sexual guardado havia tempo. O rompimento, o medo que chega primeiro, apareceu em menos de 5% dos casos. Mais de um terço ouviu algum agradecimento pela franqueza. E quanto mais segredos alguém guardava, menor a satisfação relatada com a relação.

Nada disso é ordem de contar: fantasia não precisa virar assunto nem programa para cumprir o que tem de cumprir. Mas existe quem defenda que casamento se sustenta num tanto de mistério, que certas coisas se levam para o túmulo. A pesquisa aponta para o outro lado: o que desgasta raramente é o que se diz — é o que se cala por trinta anos.

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