Em 1914, um senador foi à tribuna condenar uma dança porque os corpos se encostavam
16/09/2026 · sexualidade · Fontes: Enciclopédia Itaú Cultural e Música Brasilis
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Na virada do século XIX para o XX, a Cidade Nova, no Rio de Janeiro — a região em torno da Praça Onze que ficou conhecida como Pequena África —, viu nascer uma dança feita da mistura da polca europeia com o lundu de origem africana. Chamaram de maxixe, e o nome já era o insulto: na época, maxixe era o que se dizia de qualquer coisa tida como de última categoria.
O escândalo tinha um motivo físico bem simples. Os pares dançavam enlaçados, corpo junto de corpo, requebrando. Para os salões da elite, era “uma dança plebeia, considerada mesmo imoral, atentatória aos bons costumes”. Mas o incômodo verdadeiro era outro: gente branca, e sobretudo mulheres brancas, tinha começado a frequentar os salões de maxixe.
A perseguição foi longe. Em 1907, uma portaria proibiu que bandas militares tocassem o gênero. E em 1914, quando o corta-jaca foi tocado num sarau do Palácio do Catete, o senador Rui Barbosa subiu à tribuna para chamar aquilo de “a mais baixa, a mais chula, a mais grosseira de todas as danças selvagens”.
Hoje ninguém se escandaliza com dois corpos encostados numa pista. Mas na casa onde você cresceu havia alguma dança que não podia: a que a sua mãe olhava torto, a que o padre comentava, a que só dava para dançar quando ninguém estava vendo. Qual era a sua?