Secura vaginal não é falta de vontade — e, ao contrário dos calores, não passa sozinha
16/09/2026 · sexualidade · Fonte: Febrasgo — revista Femina, 2022;50(3):164-70
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Existe uma leitura errada que atrapalha muita gente: se o corpo não lubrifica, ou se dói, é porque o desejo acabou — ou porque a pessoa não sente mais nada pelo parceiro. Na maior parte das vezes o que está acontecendo é outra coisa, e tem nome.
Chama-se síndrome geniturinária da menopausa. Com a queda do estrogênio, os tecidos da vagina e da uretra mudam de espessura, de elasticidade e de lubrificação. Segundo revisão publicada em 2022 na revista Femina, da Febrasgo, ela atinge de 36% a quase 90% das mulheres na peri e na pós-menopausa. Entre as que têm sintomas, 55% relatam ressecamento vaginal e 44% dor na relação. Não é falta de vontade: é tecido.
E há um detalhe que quase ninguém sabe. Ao contrário dos fogachos, que costumam diminuir com o passar do tempo, essa síndrome tende a se agravar quando não é tratada. Esperar passar é justamente o que não funciona — e tratamento existe, em conversa com o ginecologista.
A mesma revisão traz o número que talvez explique o silêncio: mais de 70% das mulheres com sintomas não relatam nada ao médico. E os profissionais, diz o texto, nem sempre perguntam.
Então fica a pergunta, e a resposta é curta: em alguma consulta, em toda a sua vida, algum médico já lhe perguntou sobre isso?