A vontade nem sempre vem antes — e isso não quer dizer que acabou
16/09/2026 · sexualidade · Fonte: Carmita Abdo, “Considerações a respeito do ciclo de resposta sexual da mulher”, Diagnóstico & Tratamento (2010)
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Quase todo mundo aprendeu a mesma sequência: primeiro vem a vontade, depois a excitação, depois o resto. Foi assim que Masters e Johnson, e mais tarde Helen Kaplan, descreveram a resposta sexual — numa ordem invariável, igual para todo mundo. O problema é que muita gente usa esse roteiro como régua e conclui, quando a vontade não aparece sozinha, que alguma coisa acabou.
A médica Rosemary Basson propôs outro desenho. No modelo circular dela, as fases se sobrepõem e a ordem varia. E há uma frase que muda tudo para quem passou dos 50: mesmo quando inicialmente ausente, o desejo pode ser disparado durante a experiência, se a pessoa se torna subjetivamente excitada — e aí desejo e excitação coincidem e se mesclam. Ou seja: começar sem vontade nenhuma não é prova de que o desejo foi embora. É um jeito comum de ele funcionar.
Isso também ajuda a entender por que a imaginação pesa tanto. Na prática, a cabeça costuma começar antes do corpo, e não o contrário.
Vai aqui uma opinião, e ela é discutível: esperar a vontade bater antes de qualquer coisa acontecer é o pior conselho que essa geração recebeu. Depois de certa idade, o desejo quase nunca bate na porta — ele entra depois que a conversa já começou.