O desejo continua. O que falta, muitas vezes, é com quem
16/09/2026 · sexualidade · Fonte: Lindau et al., New England Journal of Medicine (2007), Universidade de Chicago
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Existe uma conta que quase ninguém faz em voz alta. Entre 2005 e 2006, pesquisadores da Universidade de Chicago entrevistaram 3.005 pessoas de 57 a 85 anos, em casa, uma a uma; o trabalho saiu no New England Journal of Medicine. Entre os homens de 75 a 85 anos, 78% tinham cônjuge ou uma relação íntima. Entre as mulheres da mesma faixa, 40%.
Essa diferença muda o sentido de tudo o que vem depois. A frequência da atividade sexual, entre quem continua ativo, cai muito pouco dos 50 até o começo dos 70 — e o estado de saúde pesa mais do que a idade. Entre as mulheres com parceiro que não tinham mais vida sexual, 64% apontaram a saúde do parceiro como o motivo. Não é que a vontade evapore num aniversário. É que a chance encolhe.
E a vontade, quando não tem onde ir, não desaparece: continua existindo na cabeça de quem sente, às vezes com mais nitidez do que quando havia com quem. Muita gente que mora sozinha descobre isso e acha que é defeito, ou saudade mal resolvida, ou coisa que não se conta. É só desejo, e ele não pediu licença para continuar.
Quem está só hoje — por viuvez, por separação, por escolha — tem uma pergunta concreta a responder: o que mudou de verdade nesses anos, a vontade ou a oportunidade? E, se foi a oportunidade, em que momento você percebeu isso?