O que passa pela cabeça não é um plano: a distinção que a pesquisa sobre fantasia leva a sério
17/09/2026 · sexualidade · Fonte consultada: Justin J. Lehmiller e Aki M. Gormezano, "Sexual fantasy research: A contemporary review", Current Opinion in Psychology, v. 49, feve
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
Para muita gente, perceber que imagina alguma coisa vem junto de uma pergunta incômoda: isso quer dizer que eu quero? Em 2023, Justin Lehmiller e Aki Gormezano publicaram na revista Current Opinion in Psychology uma revisão do que a pesquisa sobre fantasia sexual vinha encontrando. Uma das conclusões é exatamente essa: aquilo que as pessoas fantasiam não é necessariamente a mesma coisa que aquilo pelo qual têm interesse, nem o que fazem na prática. São três registros diferentes — imaginar, querer realizar e fazer — e a revisão trata cada um deles em separado.
Outra conclusão mexe com a ideia de raridade: poucas fantasias, escrevem os autores, aparecem como estatisticamente incomuns. O que parece exceção quando se pergunta a uma pessoa costuma aparecer com frequência quando se pergunta a muitas.
E há uma terceira, que os próprios autores fazem questão de registrar: a maior parte dos estudos feitos até ali envolveu adultos jovens, cisgêneros e heterossexuais da América do Norte. Os trabalhos que incluíram outros perfis encontraram semelhanças no conteúdo, e também diferenças. Sobre o que imagina uma pessoa de sessenta anos no Brasil, portanto, essa literatura ainda tem pouco a dizer.
Nada disso transforma imaginar em obrigação de se fazer, nem deixar de imaginar em falta. A revisão descreve o que encontrou; imaginar ou desejar não estabelece o que deveria acontecer na cabeça de ninguém.
Que ideia sobre o que se pode ou não se pode imaginar você ouviu quando era mais novo e hoje avalia de outro jeito?