A linguagem secreta do leque tinha um manual — distribuído pela loja que vendia leques
17/09/2026 · sexualidade · Fonte consultada: The Metropolitan Museum of Art, exposição "Fanmania" (11/12/2025 a 12/05/2026), página "The Language of the Fan", metmuseum.org. Tex
Ilustração criada pelo Clube da Maturidade
A cena é conhecida: no salão, a moça fecha o leque de certo jeito e o pretendente entende o recado. A história é boa, e histórias boas duram. Entre dezembro de 2025 e maio de 2026, o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, montou a exposição Fanmania, sobre o leque na arte europeia do século XIX, e dedicou uma parte dela justamente à tal linguagem.
O que está documentado é isto: a Duvelleroy, uma das principais fabricantes francesas de leques na segunda metade do século XIX, entregava às clientes pequenos panfletos descrevendo um sistema de gestos, cada um correspondendo a uma mensagem precisa. Antes disso, no fim do século XVIII, já circulavam leques impressos com uma Fanology, reforçando a mesma crença.
O museu observa que a maior parte das fontes antigas sobre o assunto é de natureza satírica. Elas não sustentam que existisse um código formal amplamente aceito — sustentam, sim, que o leque era entendido como objeto de grande poder de comunicação. Para o museu, ele funcionava como extensão da linguagem do corpo e das convenções sociais.
Uma coisa é o código. Outra é o leque na mão de alguém, num salão onde boa parte do que se queria dizer não podia ser dita em voz alta.
O leque de mão seguiu em uso no Brasil muito depois daquele século — em igreja, em velório, em baile de carnaval. Abri-lo diante do rosto nunca precisou de manual para significar alguma coisa.